1. “Como é que acham melhor?”

    Há um video que está a fazer as rondas desde a meia-noite de ontem. Um video em que vemos José Socrates, Primeiro-Ministro de Portugal, a preparar-se para declarar que o país vai precisar, e já pediu, ajuda externa.

    Mas a entrada do FMI é irrelevante. As consequências futuras disso são irrelevantes. O que interessa é que apanhamos o Primeiro-Ministro preocupado com o ângulo da câmara que o vai filmar, mais interessado nas aparências do que na gravidade da mensagem.

    É mais um exemplo de tudo que há de errado neste Primeiro-Ministro: a vaidade, a arrogância, a preocupação não com o estado da Nação, mas na forma como os outros o vêem. É um palhaço, é um corrupto, é um maricas que, sozinho, conseguiu levar Portugal à miséria. Há que rir na cara do idiota: Não fica bem nem de uma forma nem de outra, pá! Fica bem é contigo na rua!

    Pois.

    Sabem o que é que eu vi?

    Eu vi um homem. Não vi um monstro, não vi o mal personificado nem o vil destruidor das economias nacionais, mas vi um homem, como eu, a preparar-se para falar para milhões. Vi alguma humildade mas, acima de tudo, humanidade.

    É fácil projectar naquela figura, que tanto aparece orgulhosa nas nossas televisões, todas as nossas frustrações em relação ao estado da política nacional, e ver este a escorregar numa casca de banana é a punchline da piada contínua que tem sido contada diariamente neste país, por todos nós. É a piñata perfeita, pois tanto se orgulha na sua arrogância, e é tão fácil esquecer que é apenas um homem e, como todos, tem de apertar os atacadores de manhã.

    Mas aquela frase: “Como é que acham melhor?”, dita sem saber que estava a ser visto, sem a máscara pública posta.

    Aqui conseguimos vislumbrar a sua humanidade. “Como é que acham?”. O assumir da ignorância, o confiar na sabedoria dos outros. Não é o sabichão que vemos ou pensamos ver, mas é mais um que anda por aqui, que tenta esconder a insegurança com aparente confiança e, sim, arrogância. E nós? Que imagem tentamos passar aos outros? Que imagem é que achamos que os outros têm realmente de nós? E será que também não estamos todos preocupados como é que “fica melhor?”

Notes

  1. thatlovablebastard posted this